

Prestes a ingressar no ensino superior, os estudantes da equipa Impulsos João Neves, Mário Ferreira, Marta Canha, Yuriy Muryn e o seu orientador, professor Sérgio Ramos, deslocaram-se, de 5 a 8 de setembro de 2011, a Genebra, para visitar o
CERN – Organização Europeia de Energia Nuclear, estabelecendo contacto com uma das “frentes de combate” do conhecimento humano, relacionada com a resposta a questões que desde há muito inquietam a Humanidade: de que é feito o Universo, como começou, qual o seu destino?
No início, há mais de 13 mil milhões de anos, deu-se a
Grande Explosão, o “
Big Bang”. O tempo e o espaço começaram quando um pequeno ponto cheio de energia começou a expandir-se a uma taxa elevadíssima; uma cadeia de fenómenos foi-se desenrolando e essa dinâmica continua. Actualmente, os cientistas tentam melhorar a nossa compreensão do Universo, replicando experimentalmente alguns dos fenómenos que ocorreram nos primeiros instantes de existência do Universo. Estes fenómenos pertencem ao domínio da
Física de Partículas e assim os físicos têm tido necessidade de utilizar equipamentos cada vez mais avançados à medida que os conhecimentos científicos se vão desenvolvendo.
No CERN têm trabalhado cientistas de mais de 100 nações, incluindo um grupo de portugueses com destacadas responsabilidades. O que os atrai ao CERN é sobretudo o LHC, uma máquina impressionante, que acelera feixes de protões a 99,99% da velocidade da luz num percurso circular, a 100 metros de profundidade e com 27 km de perímetro! As mais avançadas tecnologias, incluindo magnetos realizados com circuitos supercondutores, arrefecidos a hélio, são utilizadas para gerar colisões entre as partículas e registar as características dos fenómenos, que são então estudados pela comunidade científica.

A equipa da nossa escola, que foi excelentemente recebida pelos investigadores portugueses, visitou de forma guiada diversas instalações e exposições do
CERN, interagiu diretamente com diversos cientistas e assistiu a palestras em conjunto com cerca de 50 professores de Física do ensino básico e secundário de Portugal, Brasil e outros países de língua oficial portuguesa que estavam a participar na iniciativa intitulada Escola de Professores no CERN em Língua Portuguesa, promovida pelo
LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas com o apoio da Agência Ciência Viva. A nossa equipa apresentou à plateia de professores o seu trabalho no âmbito do concurso "Se eu fosse... Cientista!", tendo sido aplaudida por todos os presentes.

Na mesma ocasião, encontrava-se no CERN o biólogo molecular, geneticista e zoólogo
James D. Watson, um dos laureados com o prémio Nobel da Medicina/Fisiologia em 1962, pela descoberta, nove anos antes, da
estrutura em dupla-hélice da molécula de ADN. Com os estudantes de Aveiro na primeira fila do grande auditório do CERN, o cientista proferiu uma palestra dedicada ao relato da grande descoberta, cativando o público com a sua comunicação acessível e bem-humorada.
A viagem da delegação aveirense foi o prémio obtido pela sua vitória, em Maio passado, no concurso nacional “Se eu fosse... cientista!”, promovido pelo jornal Ciência Hoje e pela Agência Ciência Viva. As provas realizadas pela equipa no âmbito do concurso podem ainda ser vistas no sítio da escola
clicando aqui.
S. Ramos